Relações Saudáveis: como consegui-las e como mater?

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As relações de casal são provavelmente aquelas em que é mais acentuada a busca de felicidade, embora nem sempre seja esse o resultado. Saber os princípios básicos das relações saudáveis ajuda a mantê-las significativas, preenchidas e estimulantes tantos nos momentos prazerosos como difíceis.

As relações sempre foram e sempre serão complexas, sejam elas de namoro ou casamento, familiares, de amizade ou de trabalho. Mais especificamente, nas relações íntimas, estamos a falar de duas pessoas que partilham hábitos, gostos, desejos e objetivos de vida e que muitas vezes cresceram e viveram momentos diferentes uma da outra. Todos estes componentes são importantes no momento em que a relação se estabelece e principalmente se desenvolve. São dois mundos complexos e muitas vezes diferentes que se relacionam um com o outro nos mais variados contextos e nem sempre essa relação acontece de forma saudável.

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A importância da comunicação

A comunicação é um componente chave para a construção de uma relação saudável. É importante comunicar e expressar os desejos e objetivos de cada um.

Expresse as suas emoções – É tão importante comunicar emoções de alegria como de tristeza. Quando expressamos as nossas vulnerabilidades, o que nos angustia ou desagrada, criamos uma oportunidade de compreensão e conexão mútua, de forma a aprofundar e melhorar a relação. Se escondermos as nossas emoções podemos estar a aumentar a tensão interna que mais tarde pode acabar por explodir de forma imprevista e nefasta para a relação.

A emoção primária na maioria das relações conflituosas é o medo: medo à rejeição e abandono; e medo à perda de autonomia e à absorção pelo outro.

Frequentemente os conflitos refletem-se nestes medos e inseguranças na relação. Cada indivíduo tenta proteger-se dos seus medos e entra em interações conflituosas que se alimentam em ciclos viciosos. Contudo, o acesso direto à expressão e aceitação destes medos permite uma reorganização do próprio e da relação com o outro.

Um exemplo comum nos casais é o de um parceiro que pede uma resposta concreta mas de uma forma que produz uma resposta contrária à desejada. Pede carinho, por exemplo, mas através de queixas e hostilidade que acabam por produzir distância. É importante aqui perceber a emoção primária subjacente, como o medo ao abandono, que está por debaixo da hostilidade. Se for expressado diretamente este medo, em vez da distância e hostilidade, o parceiro ganha a possibilidade de responder mais adequadamente ao pedido, do que com a defesa ou distanciamento.

Os casais precisam atrever-se a partilhar as suas vulnerabilidades de forma emocionalmente congruente e honesta, o que produzirá uma conexão segura, que tanto almejam. Quando esta vulnerabilidade é exposta, o parceiro tende a responder com apoio, o que renova a confiança e disponibilidade no outro, promovendo uma maior flexibilidade e adaptação para a solução dos conflitos.

Fortaleça o respeito mútuo, pela igualdade de valor – Assim como os seus, também os desejos e necessidades do(a) seu(sua) parceiro(a) têm valor. Ao serem comunicados, abre-se espaço para que os desejos e necessidades de ambos sejam escutados, negociados na sua concretização e atendidos. Esta atitude acaba por aproximar os elementos do casal e aumentar o conhecimento que cada um tem do outro.

A igualdade de valor é um requisito fundamental para que o casal tenha a sensação de igualdade na autoestima. Quando um dos membros do casal se demonstra superior ou inferior, ou tenta evidenciar as falhas do outro, quebra-se este equilíbrio e começam a surgir conflitos.

Para manter este equilíbrio, é fundamental satisfazer as necessidades emocionais de cada um, acolhendo os sentimentos de inseguranças mútuos e comunicando-os, mas também aceitando a ambivalência e a diferença, percebendo que o outro não é perfeito, que por vezes amará e que também frustrará.

Seja empático – A empatia permite sintonizar-se com o outro, olhar através da sua perspetiva e ver o outro lado da razão e da emoção. Quando exclusivamente nos tentamos defender ou simplesmente evadir de uma discussão, perdemos a empatia e a possibilidade de sentir e compreender as necessidades do outro em relação às nossas, que podem ser uma chave fundamental para a manutenção da saúde da relação.

A importância dos limites

Uma relação saudável não se traduz por fazer tudo em conjunto, em todos os momentos possíveis. Traduz-se sim, por existir um equilíbrio funcional entre os momentos a dois e os momentos individuais. Estes limites são muito saudáveis para a relação e permitem que exista espaço para a pessoa individual que ambos são, assim como um espaço para o casal.

Podem surgir conflitos se as necessidades de aproximação e diferenciação de cada um não estiverem a ser satisfeitas. Por vezes, por necessidade de segurança retiram-se limites, o que faz pressão para a dependência e pode criar no outro uma necessidade de afastamento. Desta forma, quanto mais um pede aproximação mais o outro se afasta e maior é o conflito.

Este equilíbrio entre a diferenciação e a proximidade possibilita um espaço para olhar o outro e o próprio e abre as portas à atração e ao desejo mútuos.

 

O que não é uma relação saudável

É igualmente importante saber identificar quais as relações que não são saudáveis, para poder promover mudança na sua relação ou perceber o que deseja para a sua vida. Muitas vezes chamamos às relações não saudáveis “relações tóxicas”, pelo seu efeito prejudicial na saúde física e psicológica.

Estas relações são baseadas no poder e controlo e não na igualdade e no respeito. São relações desequilibradas: de abuso, possessão, ciúmes em excesso, acusações, desrespeito, humilhações e traições – são extensões de comportamentos manipulatórios que utilizam a vulnerabilidade e fragilidade do outro para se sobreporem e valorizarem. Frequentemente, estes comportamentos são subtis e quem está envolvido e é vítima dos mesmos culpabiliza-se e não se apercebe desta toxicidade.

Se suspeita que a sua relação não é saudável faça-se algumas perguntas:

– Sente medo ou receio do(a) seu(sua) parceiro(a)?

– Acha que cede muitas vezes aos desejos, necessidades e opiniões do (a) seu(sua) parceiro(a) e que o contrário não acontece?

– Sente-se isolado(a) da sua família e amigos?

– Sente que tem autonomia para fazer as coisas que gosta e tomar decisões sem falar com o (a) seu (sua) parceiro(a)?

Dicas Gerais para uma relação saudável

1. Demonstrar admiração mútua

2. Ser cúmplices

3. Tentar fazer um balanço positivo da relação

4. Ajudar-se a ser independentes e responsáveis dos seus atos

5. Ser sinceros… mas não excessivamente. Não é necessário dizer tudo e ferir o outro

6. Fugir da rotina

7. Manter as relações sociais

8. Ter atenção aos detalhes que sabemos que agradam o outro

9. Facilitar situações para rir juntos

10. Manter o sentido de humor para enfrentar situações difíceis

11. Pedir positivamente demonstrações de afeto. Não exigir.

12. Dizer “Amo-te” pra além de demonstra-lo através de atos

13. Manifestar construtivamente os desacordos

14. Pedir perdão de forma sincera

15. Manter um espaço e um tempo dedicado apenas para o casal

16. Manter estratégias para adaptar-se às mudanças da vida ao longo da relação

17. Manter uma vida sexual satisfatória

18. Comunicar o que se sente

Por: Vanessa Damásio e Ana Sousa – Psicólogas clínicas do Centro de Relações Saudáveis – Psinove – Inovamos a Psicologia

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